Nas nossas casas não convivemos apenas com cães e gatos — outros pequenos animais, como o furão, também fazem parte de muitas famílias. Por isso, hoje queremos dedicar este espaço para que possas aprender um pouco mais sobre esta espécie.
Talvez já tenhas pensado em aumentar a família com um furão, mas, como acontece com qualquer animal, é essencial informarmo-nos sobre as suas necessidades, cuidados, curiosidades, prevenção de doenças, entre outros, antes de o levar para casa. Temos de garantir que somos capazes de lhe oferecer tudo o que necessita e que temos os conhecimentos necessários para tal. Se, depois de investigar, percebermos que neste momento não conseguimos dar-lhe os cuidados adequados, o melhor é não o adotarmos e optarmos por uma espécie que se adapte melhor a nós.
Se queres conhecer aspetos básicos sobre os cuidados e a posse responsável de furões, não percas o que te vamos contar!
É um animal carnívoro
O nome científico do furão é Mustela putorius furo, e pertence à família dos mustelídeos, dentro da ordem dos carnívoros. Outros animais desta mesma família são o toirão, o vison, a doninha, o texugo e a lontra.
Sendo carnívoro, é fácil adivinhar qual deve ser a sua alimentação, certo? Efetivamente, o furão é um carnívoro estrito e, no estado selvagem, alimenta-se de presas pequenas, adequadas ao seu tamanho, como ratos ou coelhos. Por isso, quando vivem connosco, é vital para a sua saúde oferecer-lhes uma alimentação adequada a um carnívoro: totalmente livre de cereais, com o menor teor possível de hidratos de carbono, pelo menos 35% de proteína de origem animal de boa qualidade, e pelo menos 20% de gordura. Devemos sempre ler a composição dos alimentos que lhes damos, para confirmar que são realmente apropriados às necessidades da espécie.
Oferece-lhe um alojamento seguro
Uma característica muito importante dos furões é que precisam de dormir cerca de 16 a 18 horas por dia, por isso é fundamental garantir-lhes espaços seguros onde possam descansar. Em casa, é indispensável ter uma gaiola o maior possível, com dois ou três níveis, equipada com elementos de enriquecimento ambiental, como redes ou túneis. Aí poderão dormir e estar seguros quando não estivermos em casa.
Os furões são animais ativos e muito curiosos, por isso devem ter momentos do dia em que possam estar à solta pela casa, sempre sob supervisão, a brincar e a usufruir da nossa companhia e carinho. No entanto, é muito importante garantir que a casa é segura para eles: evitar buracos onde se possam enfiar e ficar presos, canos, produtos químicos ao seu alcance, cabos que possam morder, etc.
A importância do fotoperíodo
Já referimos que os furões dormem muito, e isto está relacionado com a necessidade de passarem muitas horas por dia na total escuridão, sem receberem sequer um raio de luz.
O fotoperíodo, ou seja, os ciclos diários de luz e escuridão, desempenha um papel essencial na saúde dos furões. Durante as horas de escuridão, é sintetizada a melatonina, uma hormona produzida na glândula pineal. Se esta não for produzida corretamente, pode haver défice de melatonina, o que afeta as glândulas supra-renais do furão, provocando a sua hiperplasia ou até mesmo o aparecimento de tumores. Além disso, o défice de melatonina aumenta a produção de hormonas hipofisárias envolvidas na reprodução, como a FSH e a LH, mantendo o animal num estado de cio constante, o que terá consequências negativas para a sua saúde.
Resumindo: se mantivermos os furões expostos a longos períodos de luz (natural ou artificial) durante todo o ano, a melatonina não será sintetizada de forma adequada, prejudicando a sua saúde. Por isso, devemos proporcionar cerca de 14 a 16 horas de escuridão total por dia e 8 a 10 horas de luz. Em casa, podemos controlar o fotoperíodo usando capas para cobrir a gaiola ou baixando completamente as persianas se o furão tiver um quarto só para ele.
Para manter a sua saúde, visita o veterinário especialista em animais exóticos
O veterinário especializado em animais exóticos será o nosso melhor aliado para garantir que o furão tem uma boa saúde. Assim que ele chegue a casa, devemos levá-lo à clínica veterinária para uma revisão geral, colocação de microchip, administração das vacinas contra a esgana e a raiva, e uma desparasitação adequada. Estes são os cuidados básicos, mas recomendamos que sigas os conselhos da equipa veterinária ao longo de toda a vida do teu novo amigo.
A castração nos furões
Em furões, alguns estudos relacionam o cancro das glândulas adrenais com a castração cirúrgica precoce, razão pela qual a tendência atual é evitar esta cirurgia, pelo menos até o animal atingir uma idade mais avançada. O método de castração mais utilizado é o implante hormonal de deslorelina, que bloqueia a síntese e libertação das hormonas FSH e LH, responsáveis pela fertilidade. Este implante tem uma duração média de um ano, sendo necessário renová-lo conforme a indicação do veterinário.
Se adoras animais de pequeno porte e gostarias de te formar para trabalhares numa clínica especializada, recomendamos o nosso curso de especialista em micromamíferos — já o conheces? Se quiseres mais informações, não hesites em contactar-nos!





